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Testando Biblicamente os Profetas: Critérios aprovados pelos Mórmons

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Testando Biblicamente os Profetas: Critérios aprovados pelos Mórmons

Um dos pilares da fé Mórmon é o Ministério Profético de seu fundador, Joseph Smith, e de seus sucessores, os Presidentes da Igreja dos Santos dos Últimos Dias (SUD) e os Quóruns de 12 Apóstolos. O conceito de Profeta da Igreja Mórmon, porém, tem algumas singularidades, em relação a outros grupos de origem cristã. De acordo com os seus ensinamentos, todos os Presidentes na linha sucessória a partir de Smith foram profetas da Restauração. Todos os atuais membros da liderança da Igreja são considerados Profetas, ou seja, portadores de palavras do próprio Deus.

Como um Mórmon ou qualquer outra pessoa pode – e deve - identificar um verdadeiro profeta de Deus? Jesus Cristo nos advertiu sobre o risco representado pelos falsos profetas (Mateus 7:15 a 20). O apóstolo Paulo orienta que supostas alegações proféticas surgidas na Igreja sejam testadas (Tessalonicenses 5:20-21).

Este artigo apresentar formas de testar, biblicamente, testes para discernir se alguém é um verdadeiro profeta de Deus. Estes testes bíblicos não são estanhos à doutrina Mórmon; na verdade, a Igreja SUD concorda e ensina sobre eles, como veremos adiante. Os Mórmons entendem, de forma correta, que simples apelos a experiências espirituais em defesa de um profeta não são decisivos; uma vez que Jesus Cristo deixou claro que alguns falsos profetas afirmariam agir em Seu nome e ser inspirados pelo Espírito. Estes são os quatro testes bíblicos básicos para validar um profeta de Deus (clique nos links abaixo para ser direcionado ao teste):

Apelos a experiências espirituais em defesa de um profeta não são decisivos, pois Jesus Cristo deixou claro que alguns falsos profetas afirmariam agir em Seu nome e ser inspirados pelo Espírito Santo.

(1) As profecias do verdadeiro profeta em nome de Deus se tornam realidade; As predições em nome de Deus que não se tornam realidade são a marca de um falso profeta.

(2) Os ensinamentos do verdadeiro profeta devem concordar com as doutrinas estabelecidas que vieram através de revelações verdadeiras mais antigas, especificamente aquelas encontradas nas Escrituras (em particular a Bíblia). Um profeta cujos ensinamentos claramente contradizem revelações anteriores é um falso profeta.

(3) Os frutos do verdadeiro profeta são bons; Os frutos do falso profeta são maus.

(4) As revelações do verdadeiro profeta são autênticas, factualmente sólidas e razoáveis; Revelações inautênticas (anacrônicas, contêm plágio, etc.), contrárias aos fatos conhecidos, ou ilógicas não podem vir de Deus.

Para cada teste, são apresentadas as citações da Bíblia (NVI) que o estabelece, seguidas por citações das autoridades Mórmons que afirmam sua validade; sempre lembrando que a experiência espiritual de um indivíduo não é um teste válido.

Apelos a experiências espirituais em defesa de um profeta não são decisivos, porque alguns falsos profetas afirmam agir em favor de Jesus Cristo e ser inspirados pelo Espírito.

“"Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores (...) Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.

Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres? ’
Então eu lhes direi claramente: ‘Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal! ’ " (
Mateus 7:15; 21-23)

“Pois aparecerão falsos cristos e falsos profetas que realizarão grandes sinais e maravilhas para, se possível, enganar até os eleitos.” (Mateus 24:24, também  Marcos 13:22 )

“Não tratem com desprezo as profecias, mas ponham à prova todas as coisas e fiquem com o que é bom.
Afastem-se de toda forma de mal.” (
1 Tessalonicenses 5:20-22)

“Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo.” (1 João 4:1)

Assim como no Israel antigo, onde muitos problemas foram causados por pessoas que alegavam falsamente ter uma mensagem da parte de Deus, devemos hoje ser capazes de discernir entre os verdadeiros e falsos profetas. Este é um ensinamento bem estabelecido entre os Mórmons (Velho Testamento: Manual de Recursos do Professor – página 180)1

Conforme o profeta fundador Joseph Smith:

(...) “nada prejudica mais os filhos dos homens do que estar sob a influência de um falso espírito, quando pensam que têm consigo o Espírito de Deus”.2 

Teste nº 1: As profecias do verdadeiro profeta em nome de Deus se tornam realidade; As predições em nome de Deus que não se tornam realidade são a marca de um falso profeta.

  • Citações Bíblicas

A Lei estabelecida por Moisés previa que viriam falsos profetas, e impunha a penalidade máxima para os que se atrevessem a enganar o povo em nome de Deus:

“Porém o profeta que tiver a presunção de falar alguma palavra em meu nome, que eu não lhe tenha mandado falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta morrerá.
E, se disseres no teu coração: Como conhecerei a palavra que o Senhor não falou?
Quando o profeta falar em nome do Senhor, e essa palavra não se cumprir, nem suceder assim; esta é palavra que o Senhor não falou; com soberba a falou aquele profeta; não tenhas temor dele” (
Deuteronômio 18:20-22).

Esta severa advertência não impediu que, muitos anos depois, tais profetas enganadores se manifestassem em grande quantidade no tempo de Jeremias. A orientação de Deus a seu verdadeiro profeta permaneceu a mesma:

“Mas eu disse: Ah, Soberano Senhor, os profetas estão dizendo a eles: ‘Vocês não verão a guerra nem a fome; eu lhes darei prosperidade duradoura neste lugar’ .
Então o Senhor me disse: ‘É mentira o que os profetas estão profetizando em meu nome. Eu não os enviei nem lhes dei ordem nenhuma, nem falei com eles. Eles estão profetizando para vocês falsas visões, adivinhações inúteis e ilusões de suas próprias mentes’.
Por isso, assim diz o Senhor: ‘Quanto aos profetas que estão profetizando em meu nome, embora eu não os tenha enviado, e que dizem: ‘Nem guerra nem fome alcançarão esta terra’, aqueles mesmos profetas perecerão pela guerra e pela fome!’ “ (
Jeremias 14:13-15)

“Os profetas que precederam a você e a mim, desde os tempos antigos, profetizaram guerra, desgraça e peste contra muitas nações e grandes reinos.
Mas o profeta que profetiza prosperidade será reconhecido como verdadeiro enviado do Senhor se aquilo que profetizou se realizar". (
Jeremias 28:8,9)

  • Citações Mórmons Respaldando o Ensinamento Bíblico

Joseph Smith assim desqualifica o movimento iniciado por um restauracionista escocês, Edward Irving:

“Há oito ou nove anos atrás, os [irvingitas] tinham cerca de sessenta pregadores percorrendo as ruas de Londres, testemunhando que Londres seria o lugar onde as ‘duas testemunhas’ de que João falava [no Livro de Apocalipse], devia profetizar; Que a igreja e o espírito eram as testemunhas, e que no fim de três anos e meio haveria um terremoto e uma grande destruição, e nosso Salvador viria. Seus apóstolos foram reunidos na hora marcada observando o evento;  Mas Jesus não veio, e a profecia foi então explicada de forma ambígua.3

Se um profeta alega falar da parte de Deus, necessariamente todas as suas palavras devem se cumprir.

Smith conclui assim que os seguidores de Irving estavam enganados e seu líder era um falso profeta. Como afirmou o Presidente Ezra Benson, também ele um profeta Mórmon, em um discurso:

“o teste final de um verdadeiro profeta é que, quando ele fala em nome do Senhor, suas palavras se realizam. O Padrão foi dado a Moisés nestas palavras: ‘quando um profeta falar no nome do Senhor, se o que ele disse não se suceder, então tal coisa o senhor não falou, este profeta falou com presunção.’ ”4

Benson prossegue listando duas Profecias de Joseph Smith que teriam se cumprido. Porém,  diversas outras profecias proclamadas de forma solene por Smith não se cumpriram, conforme documentação confiável disponibilizada pela própria Igreja Mórmon. 

Teste nº 2:Os ensinamentos do verdadeiro profeta devem concordar com as doutrinas estabelecidas que vieram através de revelações anteriores, genuínas, especificamente aquelas encontradas nas Escrituras (em particular a Bíblia).

Um profeta cujos ensinamentos claramente contradizem revelações anteriores é evidentemente um falso profeta, e não devemos nos deixar iludir por supostos sinais sobrenaturais. Moisés advertiu sobre pessoas que, revestidas de pretensa autoridade profética, ao negarem os Mandamentos de Deus se mostravam falsos profetas e um perigo à nação.

  • Citações Bíblicas

“Se aparecer entre vocês um profeta ou alguém que faz predições por meio de sonhos e anunciar um sinal miraculoso ou um prodígio, e se o sinal ou prodígio de que ele falou acontecer, e ele disser: ‘Vamos seguir outros deuses que vocês não conhecem e vamos adorá-los’, não dêem ouvidos às palavras daquele profeta ou sonhador. O Senhor, o seu Deus, está pondo vocês à prova para ver se o amam de todo o coração e de toda a alma.
Sigam somente o Senhor, o seu Deus, e temam a ele somente. Cumpram os seus mandamentos e obedeçam-lhe; sirvam-no e apeguem-se a ele.
Aquele profeta ou sonhador terá que ser morto, pois pregou rebelião contra o Senhor, contra o seu Deus, que os tirou do Egito e os redimiu da terra da escravidão; ele tentou afastá-los do caminho que o Senhor, o seu Deus, lhes ordenou que seguissem. Eliminem o mal do meio de vocês”. (
Deuteronômio 13:1-5)

Esta recomendação ainda era observada nas sinagogas da Grécia já na Era da Igreja. Paulo e Silas aprovaram o procedimento de “checagem” dos cristãos de Beréia (atual Vérria), que conferiam sua pregação conforme as Escrituras que tinha disponíveis. Eles sabiam que o Evangelho que apresentavam seria confirmado pela Revelação Perene de Deus.

“Logo que anoiteceu, os irmãos enviaram Paulo e Silas para Beréia. Chegando ali, eles foram à sinagoga judaica.Os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses, pois receberam a mensagem com grande interesse, examinando todos os dias as Escrituras, para ver se tudo era assim mesmo”. (Atos 17:10,11)

Porém, já naquele tempo havia grupos que pregavam doutrinas heréticas, e Paulo precisou orientar seus discípulos a se defenderem dos falsos profetas.

“Recomendo-lhes, irmãos, que tomem cuidado com aqueles que causam divisões e colocam obstáculos ao ensino que vocês têm recebido. Afastem-se deles.(Romanos 16:17)

“Admiro-me de que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo, para seguirem “outro evangelho”- que, na realidade, não é o Evangelho;  Algumas pessoas os estão perturbando, querendo perverter o Evangelho de Cristo.
Mas ainda que nós mesmos ou um anjo do céu pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado!
Como já dissemos, agora repito: Se alguém lhes anuncia um evangelho diferente daquele que já receberam, que seja amaldiçoado!
(
Gálatas 1:6-9)

O apóstolo João e Judas, irmão de Tiago, também tiveram de combater “inovações” sem respaldo na Revelação Prévia que surgiam nas igrejas.

“Vocês podem reconhecer o Espírito de Deus deste modo: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne procede de Deus; mas todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus. Esse é o espírito do anticristo, acerca do qual vocês ouviram que está vindo, e agora já está no mundo.” (1 João 4:2,3)

“Amados, embora estivesse muito ansioso por lhes escrever acerca da salvação que compartilhamos, senti que era necessário escrever-lhes insistindo que batalhassem pela fé uma vez por todas confiada aos santos.” (Judas 3)

A Revelação de Deus deve ter continuidade. Nenhum profeta que invalide o que foi estabelecido anteriormente pode ser verdadeiro. Cristo afirmou que não veio para anular a Lei, mas para a cumprir.

  • Citações Mórmons Respaldando o Ensinamento Bíblico

Joseph F. Smith, Presidente da Igreja SUD, ecoa a recomendação da Lei de Moisés e dos Apóstolos:

“Tanto nos  assuntos  seculares  como espirituais,  os santos podem receber  orientação  e revelações divinas no que lhes diz respeito;  isto, porém,  não lhes dá direito de dirigir outros,  e não devem ser aceitos,  quando contrariarem convênios, doutrina ou disciplina da Igreja,  ou fatos conhecidos, verdades comprovadas ou o bom senso comum(...) O  Espírito  Santo não contradiz suas próprias revelações. A verdade é sempre fiel a si mesma.  Muitas  vezes a piedade é erro disfarçado.”5

“Mesmo quando a pessoa afirma que sua mensagem provém de Deus ou foi aprovada pela Igreja,  se ela não estiver de conformidade com a doutrina estabelecida,  podemos considerá-la, seguramente,  como sendo falsa.”6

“Não faz diferença o que está escrito ou o que alguém disse; se o que foi dito está em conflito com o que o Senhor revelou, podemos deixá-lo de lado. Minhas palavras, e os ensinamentos de qualquer outro membro da Igreja, alto ou baixo, se não se encaixam com as revelações, não precisamos aceitá-las. Deixe-nos ter este assunto claro. Aceitamos as quatro obras-padrão como instrumentos de medição, ou balanços, pelos quais medimos a doutrina de cada homem.” 7

Observação: as quatro Obras-Padrão são as Escrituras tidas como canônica pelos SUD. Além da Bíblia (Versão King James - KJV), compõem O Livro de Mórmon, Doutrina e Convênios e Pérola de Grande Preço, os três provenientes de Joseph Smith e seus seguidores. A Bíblia KJV é a única das quatro obras que suscita desconfiança de alguns Mórmons sobre a precisão de sua tradução.

Kent P. Jackson, renomado professor de Escritura Antiga na Universidade Brigham Young (BYU), escreveu um artigo, “Primeiros Sinais de Apostasia” em tradução livre, para a revista Ensign (A Liahoana, no Brasil e em Portugal), onde explica o texto de João mencionado anteriormente:

“Em seguida, João deu os meios pelos quais seus leitores poderiam testar uma pessoa ou um profeta para ver se ele era de Deus: ‘Todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; e este é o espírito do anticristo, do qual ouvistes que ele Deve vir; E agora já está no mundo.’ (1 Jo 4: 2-3). A crença de que Jesus não tinha realmente vindo na carne, mas só aparentava tê-lo feito é chamada docetismo. Esta crença foi baseada na visão gnóstica de que seria impossível para um ser divino como Cristo ser associado com a matéria, uma vez que a matéria era má. O docetismo negava, portanto, a humanidade de Cristo, seu sofrimento físico, sua morte física e sua ressurreição física; Ele só parecia ter um corpo físico.

“João denunciou como enganadores e anticristo aqueles que ‘não confessam que Jesus Cristo veio em carne’ (1 Jo 2: 22-26, 2 Jo 1: 7) e suplicaram aos santos que se apegassem às verdadeiras doutrinas: ‘Portanto, permaneça em vós, o que ouvistes desde o princípio. Se o que ouvistes desde o princípio permanecer em vós, também vós continuareis no Filho e no Pai.’ (1 Jo 2:24) “8

Brigham Young, que foi o segundo Presidente da Igreja SUD logo após a morte precoce de Joseph Smith, afirmou ter estabelecido a Bíblia como base para avaliação de sua doutrina em debate com um clérigo:

“Eu tive uma conversa recentemente com um proeminente ministro de uma igreja no Oriente e ele me disse, ‘eu não concordo com você em suas opiniões peculiares. Eu respondi, você não é pela verdade, toda a verdade e nada além da verdade? Se você é, eu também sou. Como é possível levantar um argumento? Vou fazer uma barganha. Vou comparar minha religião com a sua. Começaremos com a Bíblia sozinha tomando como padrão. Tudo o que a Bíblia ensina para doutrina e prática, tomaremos para nosso guia. Se eu tiver um erro, eu me separarei dele. Você fará o mesmo? (...) Pegue a Bíblia, compare a religião dos Santos dos Últimos Dias com ela e veja se ela resistirá ao teste.’ ”9

LeGrand Richards foi um proeminente missionário e apóstolo por muitos anos, e um dos mais lidos autores Mórmons. Na introdução de seu livro, Um Trabalho Maravilhoso e Uma Maravilha, em tradução livre, Richards afirma:

“Apelamos à Bíblia para provar que as verdades recebidas através da restauração do evangelho estão de acordo com seus ensinamentos.”10

Joseph Fielding Smith, o décimo presidente da Igreja, foi um dos maiores apologistas Mórmons. Em sua trilogia “Doutrinas de Salvação”, afirma:

“Quando profetas escrevem e falam sobre princípios do evangelho, devem estar sendo guiados pelo Espirito. Assim sendo, tudo o que então disserem estará em harmonia com a palavra revelada. Se estiverem em harmonia, saberemos que eles não falaram com soberba. Caso um homem fale ou escreva, e o que ele disser estiver em conflito com os padrões aceitos, com as revelações dadas pelo Senhor, então podemos rejeitar o que disse, não importa quem ele seja (...)”

“O mormonismo, como é chamado, tem que resistir ou cair com a história de Joseph Smith. Ele foi um profeta de Deus, divinamente chamado, devidamente designado e comissionado, ou então uma das maiores fraudes que o mundo já viu. Não há meio-termo.

“Se Joseph Smith foi um impostor que tentou deliberadamente induzir o povo em erro, ele deve ser desmascarado, refutadas suas asseverações e provada a falsidade de suas doutrinas, pois é impossível fazer com que as doutrinas de um impostor concordem em todos os pormenores com a verdade divina. Se suas afirmativas e declarações fossem baseadas na fraude e impostura, seria fácil averiguar muitos erros e contradições que apareceriam. As doutrinas de falsos mestres não resistem à prova quando confrontadas com os padrões de medida comprovados, as Escrituras.

“O mundo tem sido incapaz de apontar alguma coisa que fosse inconsistente ou discrepante nas revelações a Joseph Smith, do que fora revelado antes, ou predito pelos profetas e pelo próprio Senhor.”11

Portanto, o testemunho dos profetas judaicos, dos Apóstolos de Cristo e dos líderes Mórmons sustenta que a Bíblia, a mais antiga Revelação Estabelecida, deve validar todas as revelações posteriores; assim como o Antigo Testamento valida o Evangelho.

É importante que a primazia da Bíblia em relação às demais obras-padrão seja bem compreendida, pois alguns Mórmons têm priorizado suas próprias  escrituras em detrimento da Bíblia, por entenderem que há “erros de tradução”. De fato, Joseph Smith iniciou um trabalho de “tradução inspirada” da Bíblia, TJS, com a intenção de “harmonizar” os textos (não há unanimidade entre os estudiosos Mórmon; enquanto alguns acreditam que Smith iria restaurar partes da Bíblia que teriam sido perdidas, outros acreditam que ele apenas buscou trazer um melhor entendimento sobre alguns textos). Tal iniciativa não foi concluída e nenhuma outra liderança Mórmon deu prosseguimento àquele trabalho. Para todos os efeitos, a TJS não é considerada a Bíblia oficial pela Igreja SUD e nem as traduções tradicionais como a KJV foram invalidadas. (Mateus 5:18).

Permanece então a questão: os escritos e revelações Mórmon se harmonizam com a revelação anterior, contida na Bíblia? Esta é uma questão que demanda uma análise extensa. Em nossa página, disponibilizamos diversos artigos sobre vários temas, nos quais as doutrinas e escrituras Mórmon são analisadas à luz da Bíblia, e que buscam dar ao leitor um veredito através do Teste nº 2.

Teste nº 3:Os frutos do verdadeiro profeta são bons; Os frutos do falso profeta são maus.

Mais do que sinais ou visões, o modo de vida de um profeta diz muito sobre o espírito que o move. Os frutos em questão referem-se ao procedimento, uma vida de integridade e obediência à Lei de Deus.

  • Citações Bíblicas

“E entre os profetas de Jerusalém vi algo horrível: Eles cometem adultério e vivem uma mentira. Encorajam os que praticam o mal, para que nenhum deles se converta de sua impiedade. Para mim são todos como Sodoma; o povo de Jerusalém é como Gomorra." (Jeremias 23:14)

"Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. Vocês os reconhecerão por seus frutos. Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas? Semelhantemente, toda árvore boa dá frutos bons, mas a árvore ruim dá frutos ruins.
A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons.
Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo.
Assim, pelos seus frutos vocês os reconhecerão!
Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.
Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres? ’
Então eu lhes direi claramente: ‘Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal! ’ " (
Mateus 7:15-23 )

Mais do que sinais, visões, sucesso Ministerial ou a maneira como as palavras de um profeta nos parecem ‘boas’ e ‘sublimes’, o modo de vida deste profeta diz muito sobre o espírito que o move.

  • Citações Mórmons Respaldando o Ensinamento Bíblico

Conforme o Presidente SUD Ezra Benson,

“Outra prova de um verdadeiro profeta foi estabelecida pelo próprio Salvador. Os verdadeiros profetas devem ser distinguidos dos falsos profetas pelo padrão: "Pelos seus frutos os conhecereis" (Mateus 7:20).”12

Dean L. Larsen, Autoridade Geral e Historiador da Igreja, disse em discurso à Conferência Geral de 1985:

“O Salvador reconheceu que haveria impostores que tentariam passar-se como seus representantes autorizados. Ele alertou sobre os falsos profetas que viriam com roupas de ovelha, mas que teriam seus próprios motivos egoístas para cumprir. ‘Conhecê-los-ás pelos seus frutos’, disse ele.”13

Conforme o Manual do Professor do Seminário do Novo Testamento,

“... similarmente à identificação de plantas por seus frutos, podemos identificar falsos profetas e falsos mestres por meio de seus ensinamentos, ações e ideias”14

O Presidente Benson exalta as qualidades beneficentes e missionárias da organização fundada por Joseph Smith como evidência dos bons frutos por ele produzidos. Larsen, em seu sermão, prefere deixar de lado recentes achados de documentações históricas que poderiam “reconstruir a história da Igreja” para citar textos das Doutrina e Convênios  e Pérola de Grande Valor exaltando a vocação do Profeta Joseph Smith e de como ele restaurou o Evangelho de Cristo. “Relíquias históricas” não serviriam para “confirmar suas credenciais de profeta.” No fim das contas, o sucesso da Igreja SUD seria o maior fruto de Joseph Smith.

Embora reconheçamos a vocação Missionária e Beneficiente da Igreja SUD e sua expansão, também devemos tal reconhecimento a outros movimentos contemporâneos, como as Testemunhas de Jeová, de Charles Russel, e a Igreja Adventista do Sétimo Dia, fundada por Ellen White, e o Movimento da Restauração; ou movimentos avivalistas entre os séculos XVIII e XX, como a Igreja do Evangelho Quadrangular, com Aimée McPherson,  a Igreja Metodista, de John e Charles Wesley e George Whitefield. À semelhança da Igreja SUD, todos estes grupos alcançaram projeção mundial, converteram milhares de pessoas e exercem grandes obras sociais, mas seus fundadores e líderes são tidos como falsos profetas pelos Mórmons.

O Teste nº 3 não pode ser um “olhar de dentro”; tampouco profetas são validados pelo testemunho que dão de si mesmos em seus escritos ( João 5:31). Se voltarmos às citações de Mateus e Jeremias acima, entendemos que o foco dos “frutos” é a conduta pessoal do profeta. O que vai validar Smith é seu procedimento, não suas realizações. Como Joseph Fielding Smith disse de forma veemente,  “O mormonismo (...) tem que resistir ou cair com a história de Joseph”. Apesar de fatos da vida pessoal de Joseph Smith estarem envoltos em controvérsias,  testar o profeta implica em levantar a verdade destes fatos. Procuramos oferecer ao leitor confiável da época, reconhecida pela Igreja SUD, em nossos artigos. 

Teste nº 4:As revelações do verdadeiro profeta são autênticas, factualmente sólidas e razoáveis; Revelações que são inautênticas (porque são anacrônicas, contêm plágio, etc.), contrárias aos fatos conhecidos, ou ilógicas não podem vir de Deus.

Finalmente, as palavras de um profeta, se são provenientes de Deus, necessariamente devem ser ditas com o conhecimento e sabedoria ilimitados do Criador. Devem apresentar coerência lógica, científica, factual.  Não devem ser interpretadas por fábulas, folclore ou ocultismo. Não devem ser ambíguas e reinterpretadas a partir de novas descobertas históricas ou científicas. E devem ser transmitidas, se for o caso, após criteriosa averiguação. Este é o padrão apresentado na Bíblia, conforme textos a seguir.

  • Citações Bíblicas

" ‘Portanto’, declara o Senhor, ‘estou contra os profetas que roubam uns dos outros as minhas palavras. Sim’, declara o Senhor, ‘estou contra os profetas que com as suas próprias línguas declaram oráculos.” (Jeremias 23:30,31) 

“Muitos já se dedicaram a elaborar um relato dos fatos que se cumpriram entre nós, conforme nos foram transmitidos por aqueles que desde o início foram testemunhas oculares e servos da palavra. Eu mesmo investiguei tudo cuidadosamente, desde o começo, e decidi escrever-te um relato ordenado, ó excelentíssimo Teófilo, para que tenhas a certeza das coisas que te foram ensinadas.” (Lucas 1:1-4)

 “Eu lhes falei de coisas terrenas e vocês não creram; como crerão se lhes falar de coisas celestiais?” (João 3:12)

“A esta altura Festo interrompeu a defesa de Paulo e disse em alta voz:

‘Você está louco, Paulo! As muitas letras o estão levando à loucura! ‘

Respondeu Paulo: ‘Não estou louco, excelentíssimo Festo. O que estou dizendo é verdadeiro e de bom senso. O rei está familiarizado com essas coisas, e lhe posso falar abertamente. Estou certo de que nada disso escapou do seu conhecimento, pois nada se passou num lugar qualquer’.” (Atos 26:24-26) 

“Irmãos, quanto à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reencontro com ele, rogamos a vocês que não se deixem abalar nem alarmar tão facilmente, quer por profecia, quer por palavra, quer por carta supostamente vinda de nós, como se o dia do Senhor já tivesse chegado.” (2 Tessalonicenses 2:1,2) 

“Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos.
Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos.” (
2 Timóteo 4:3,4) 

“De fato, não seguimos fábulas engenhosamente inventadas, quando lhes falamos a respeito do poder e da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo; pelo contrário, nós fomos testemunhas oculares da sua majestade.” (2 Pedro 1:16)

As palavras de Deus por meio de um profeta devem ser dotadas da sabedoria e do conhecimento do Criador, e não submissas às limitações, opiniões, desejos e contradições do Profeta. Portanto, as revelações podem e devem ser submetidas ao escrutínio da lógica e das ciências, como instrumentos de validação.

  • Citações Mórmons Respaldando o Ensinamento Bíblico

Orson Pratt foi uma das mentes mais brilhantes do início do Mormonismo, sendo escritor, historiador, matemático e filósofo. Foi membro do primeiro Quórum dos Doze Apóstolos e amigo de Joseph Smith; embora uma controvérsia envolvendo o casamento plural e a esposa de Pratt tenha abalado o relacionamento entre os dois e resultado em sua excomunhão temporária da Igreja SUD. Ele mesmo viria a defender e praticar casamentos plurais após a morte de Smith. Em seu livro “Autenticidade Divina do Livro de Mórmon” (em tradução livre), Pratt escreve:

“21 - Se compararmos as partes históricas, proféticas e doutrinais do Livro de Mórmon com as grandes verdades da ciência e da natureza, não encontramos contradições - nenhum absurdo - nada irracional. A mais perfeita harmonia existe, portanto, entre as grandes verdades reveladas no Livro de Mórmon e todas as outras verdades conhecidas, religiosas, históricas ou científicas.”15

Em seu periódico “The Seer” - O vidente -  Pratt invoca a Carta de Liberdade Americana e à lógica para reivindicar seu direito de exercer as práticas de sua doutrina, no caso, ironicamente, Casamentos Celestiais (em tradução livre):

“(...) convença-nos de nossos erros de doutrina, se tivermos alguma, pela razão, por argumentos lógicos, ou pela palavra de Deus, e ficaremos sempre gratos pelas informações, e você terá sempre a agradável reflexão de que você foi Instrumentos nas mãos de Deus para redimir seus semelhantes da escuridão que vocês podem ver envolvendo suas mentes.”16

Novamente cabe repetir o pronunciamento da Primeira Presidência,

“Tanto nos  assuntos  seculares  como espirituais,  os santos podem receber  orientação  e revelações divinas no que lhes diz respeito;  isto, porém,  não lhes dá direito de dirigir outros,  e não devem ser aceitos,  quando contrariarem convênios, doutrina ou disciplina da Igreja,  ou fatos conhecidos, verdades comprovadas ou o bom senso comum(...) O  Espírito  Santo não contradiz suas próprias revelações. A verdade é sempre fiel a si mesma.  Muitas  vezes a piedade é erro disfarçado.”17

Richard Lloyd Anderson, professor emérito de Doutrina e História da Igreja na BYU, responde a um leitor da revista Ensign sobre o Livro The Archko Volume, uma biografia apócrifa de Cristo que havia sido mencionada em uma reunião dominical (tradução livre).

“A maioria das pessoas não vai comprar ações ou carros usados ​​sem investigação, mas muitas imitações bíblicas recebem créditos sem a devida averiguação. É o caso deste Volume de Archko, contendo supostos relatos sobre o julgamento de Jesus dos oficiais que o julgaram. O livro obviamente faz sucesso porque é muito fácil confundir o que gostaríamos de encontrar com o que é autêntico (...) Os documentos Archko foram inventados no século XIX e publicados por um ministro que fingiu descobrir manuscritos originais em Roma e Constantinopla. Nascido em 1824, William Dennes Mahan foi um ministro Presbiteriano em Cumberland em 1860, servindo pelo menos duas décadas no centro do Missouri, principalmente em Boonville (...)  Seu sucesso em copiar o trabalho de outros conduziu ao excesso de confiança. Ele tão abertamente plagiou que ele foi removido do cargo.18

No fim deste artigo há um link para um estudo magistral do Professor Anderson refutando a flagrante falsificação que é The Archko Volume. Sua análise é um exemplo dos cuidados que devem cercar o estudo de qualquer suposta “nova revelação”.

Quanto a Orson Pratt, ninguém jamais pôde convencê-lo de que o Casamento Celestial (polígamo) era contrário ao Evangelho; nem a lógica que ele exigia de seus opositores nem mesmo a angústia de sua esposa Sarah19 (pivô de sua ruptura com Joseph Smith anos antes). O famoso apologista Mórmon teve um final de vida difícil, com recursos escassos para sustentar suas 10 esposas e 45 filhos. Da mesma forma, apesar das eloquentes reivindicações de Pratt da autenticidade cientificamente comprovada do Livro de Mórmon, as referentes à obra em seu tempo só aumentaram entre os próprios Mórmons, na medida em que novas descobertas eram feitas. Por exemplo, a verdadeira identidade do povo Lamanita mediante testes de DNA ou a localização do Monte Cumorah, que determina se os eventos descritos ocorreram no Nordeste Norte-Americano ou na América Central têm gerado conflitos inescapáveis com profecias proclamadas por Joseph Smith. Estes são assuntos para outros artigos disponíveis em nossa página.

Esperamos ter munido o leitor de conhecimentos sobre os critérios que ambos Cristãos e Mórmons reconhecem como válidos para avaliar os profetas de Deus. Que o Espírito da Verdade oriente seus estudos.

E eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Conselheiro para estar com vocês para sempre,
o Espírito da Verdade. O mundo não pode recebê-lo, porque não o vê nem o conhece. Mas vocês o conhecem, pois ele vive com vocês e estará em vocês.
(João 14:16,17)

NOTAS

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1.  Ver também: Manual do Professor de Seminário – lição 134; Versão em inglês  Old Testament Teacher Resource Manual (Salt Lake City: Church of Jesus Christ of Latter-day Saints, 2003), 180 - versão On Line.

2.  Ensinamentos dos Presidentes da Igreja, página 406. Teachings of the Prophet Joseph Smith, 205.

3.  Teachings of the Prophet Joseph Smith, 211. Em tradução livre. Ver também  History of the Church 4:571-581.

4. Presidente Ezra Taft Benson, "Joseph Smith: Prophet to Our Generation", Revista Ensign, março de 1994. Em tradução livre.

5. Primeira Presidência (Joseph F. Smith, Anthon H. Lund e Charles W. Penrose), 1913, citado em Doutrina e Convênios – Manual do Aluno (Salt Lake City: Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, 2002), páginas 57, 58. Destaque nosso.

6. Ibidem, página 415.

7. Joseph Fielding Smith,  Doctrines of Salvation , 3: 203.  Em tradução livre.

8. Kent P. Jackson, Early Signs of the Apostasy, Ensign, dezembro de 1984.

9. Presidente Brigham Young, 18 de maio de 1873, no Journal of Discourses 16:43, 46. Em tradução livre. Esta declaração não é encontrada no domínio LDS.org; mas pode ser conferida em jod.mrm.org (pág. 43) e outros locais na Internet.

10. LeGrand Richards, A Marvelous Work and a Wonder, Edição Revisada e Ampliada. (Salt Lake City: Deseret Books, 1976), 1. Em tradução livre.

11. Joseph Fielding Smith, Doutrinas da Salvação, comp. Bruce R. McConkie (Salt Lake City: Bookcraft, 1954), Volume 1: 203, 204, 205; ênfase no original. Parte dessa passagem é citada no Manual do Aluno do Antigo Testamento: Gênesis-2 Samuel (Salt Lake City: Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, 1980), 224-33.

12. Presidente Ezra Taft Benson, "Joseph Smith: Prophet to Our Generation", Revista Ensign, março de 1994. Em tradução livre.

13. Dean L. Larsen, "By Their Fruits Ye Shall Know Them", Conferência Geral, outubro de 1985 (em tradução livre)

14. "Lição 12: Mateus 7", no Manual do Professor do Seminário do Novo Testamento (2015).

15. Orson Pratt,  Divine Authenticity of the Book of Mormon , 56.  Em tradução livre.

16. Orson Pratt,  The Seer  (Março de 1854), pag. 30.  Ver também Janeiro de 1853,Pags 15, 16. Em tradução livre.

17. Primeira Presidência, citada no Doutrina e Convênios – Manual do Aluno (2002), 411-16 (ver n. 5 acima).

18. Richard Lloyd Anderson, "I have a Question", Ensign, Oct. 1974,  Em tradução livre.; Ver também seu artigo "The Fraudulent Archko Volume", BYU Studies 15/1 (1974): 43-64.

19. Ver a declaração de Sarah Pratt na seção Family and Wives, no verbete Orson Pratt da Wikipedia.